Perspectiva Linear com 1 Ponto de Fuga.

Esta é, dentre as técnicas de perspectiva, a mais usada. É tido como o primeiro teorema criado e este é baseado nos fenômenos da visão para representar com precisão as relações de tamanho.

Para aplicar esta técnica, consiste em seguirestes 5 passos:

1- Trace uma linha horizontal na superfície do papel; esta chamaremos de linha do horizonte.

2- Nesta linha, faremos um ponto no centro ou numa das estremidades desta (seja à direita ou à esquerda). Este chamaremos de ponto de fuga.

3- Desenharemos neste plano espacial, criando a face de sólidos para em seguida criar a sensação visual de profundidade. Aconselho que seja desenhados formas quadradas porque naturalmente iremos quadratar todos os objetos; partindo da forma quadrada aplicaremos melhor a técnica de perspectiva. Dois princípios serão fundamentais na composição: o primeiro é o tamanho do quadrado (quanto maior, ilusoriamente, mais próximo do espectador e quanto menor, teremos a sensação visual de estar mais longe) e o segundo é a colocação do sólido no plano ( abaixo da linha do horizonte teremos a ilusão de vermos o sólido visto este por cima; e se colocado acima da linha do horizonte teremos a lusão de vermos o sólido acima de nós).

4- Dos quatro cantos do quadrado desenhado, traçaremos linhas em direção ao ponto de fuga. Com linhas paralelas na horizontal e na vertical, definiremos a profundidade deste sólido.

5- E para finalizar, apaga-se as linhas em direção ao ponto de fuga que não usaremos mais.

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Abaixo, para ilustrar a aplicabilidade desta perspectiva está uma imagem do livro do arquiteto Gildo A. Montenegro retirada do livro Perspectiva dos Profissionais. Onde poderemos ver a aplicação desta perspectiva na criação de uma paisagem urbana.

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Elementos da Linguagem Visual

Quando observamos uma ilustração, vemos um conjunto de figuras e cores dispostas numa superfície, interagindo e formando imagem. A infinita quantidade de imagens construídas com os mais diversos suportes e materiais surgem de elementos básicos usados na linguagem visual. O que veremos a baixo e na sequencia são: superfície e/ou espaço, ponto, linha, forma e volume. Para melhor compreensão, estudaremos cada um destes elementos da linguagem visual separadamente. Mas, antes disto, quero dizer que estes elementos mesclam-se; uns originam outros, contrastando e complementando. Por exemplo, para termos sombra é necessário que haja luz; luz e sombra projetam-se evidenciando a forma; para construirmos uma forma, precisaremos utilizar linhas; e a linha nasce de um ponto numa superfície.

  • Superfície e/ou espaço:

É natural confundirmos forma com superfície, superfície com espaço e espaço com plano; são elementos semelhantes.  Mas quando falamos em superfície, em termos técnicos das artes visuais, é a base onde executamos o nosso fazer artístico. Em particular para o desenho, será o papel e este é bidimensional, ou seja, possui altura e largura. Toda superfície tem uma forma. O papel geralmente tem forma de retângulo. Encontramos também noutros formatos e as sensações que sentimos ao olhar uma imagem vem também da forma da superfície.

Quando observamos uma superfície somos influenciados conscientes e inconscientes, pela nossa fisiologia, pela gravidade e pelo hábito de leitura. Nós que fomos criados na cultura ocidental, sempre observaremos as imagens seguindo a estrutura visual perceptiva como no exemplo abaixo:

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É impossível falar de superfície sem falar em composição, porque a maneira como dividimos e organizamos a superfície em que desenvolveremos o fazer artístico é fundamental para a melhor comunicação da mensagem que queremos transmitir com nossos trabalhos.

  • Ponto:

Segundo Dondis, em seu livro Sintaxe da Linguagem Visual (1996, p.53) “o ponto é o ponto de partida destes elementos. Quando fazemos uma marca, seja com tinta, com uma substância dura ou um bastão, pensamos neste elemento visual como um ponto de referência ou um indicador de espaço”.

O ponto, na maioria das vezes, não está visível no desenho. Usaremos o ponto para determinar o início do desenho, para aplicar a técnica de perspectiva, criar texturas.

  • Linha:

Pode-se dizer que a linha é um ponto em movimento. Ao posicionarmos a ferramenta de trabalho – para o desenho serão os lápis – em um ponto e arrastarmos, criaremos uma linha. “Nas artes visuais, a linha tem, por própria natureza, uma enorme energia. Nunca é estática; é o elemento visual inquieto e inquiridor do esboço. (…) Contudo, apesar de sua flexibilidade e liberdade, a linha não é vaga: é decisiva, tem propósito e direção, vai para algum lugar, faz algo de definitivo. A linha é elemento essencial do desenho.” (Dondis, 1996, p. 56).

  • Forma:

A linha descreve a forma. Pode-se dizer que a linha articula a complexidade da forma. Existem três formas básicas: quadrado, círculo e triangulo equilátero. (Dondis, 1996, p. 57). Cada uma das formas básicas possui características próprias e atribui-se significados, muitos específicos, alguns por associação, outros ainda, através de nossas percepções psicológicas e fisiológicas. Ao quadrado são associadas  as idéias de estabilidade e retidão; ao círculo associa-se a idéia de proteção, perfeição, infinito; e ao triangulo equilátero a idéia de equilíbrio. Todas as formas básicas são figuras planas e simples que podem ser facilmente descritas e construídas.

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Com base nestas três formas geométricas criaremos todas as figuras na composição de nossas imagens. As formas traçadas à “mão livre” resultam as chamadas formas livres. Na composição de objetos e cenários usaremos mais as formas geométricas regulares, e para desenhar a figura humana, animais e plantas, usaremos mais as formas geométricas livres.

  • Luz e Sombra:

O ser humano só vê graças à presença da luz sendo esta natural ou artificial. A luz pousa sobre os objetos, refletindo a luz junto com os tons e assim percebemos o volume das figuras nas imagens. Ao observarmos a natureza, estamos vendo a verdadeira luz. Quando vemos a “luz” numa imagem, vemos os materiais representando esta luz natural.

Os tons variam dos mais claros aos mais escuros e este é um dos melhores instrumentos de que dispomos para expressar o mundo tridimensional. Com os conceitos de luz e sombra poderemos criar a ilusão de profundidade na nossa superfície bidimensional – o papel. E por meio da aplicação dos efeitos de luz e sombra, nossas imagens transmitirão a sensação de volume.

Abaixo temos uma escala de tons de cinza, do branco do papel até o preto:

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Acima vemos o mesmo círculo com linha e transformado numa esfera com os efeitos de luz e sombra; abaixo temos um mapa das áreas luminosas.

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Fonte de pesquisa: DONDIS, Donis A. Sintaxe da Linguagem Visual. Editora Martins Fontes. São Paulo – SP. 1996.