Ano Novo de Novo!

Feliz Ano Novo!

Não apenas porque é meu primeiro post do ano. É porque hoje começa mais uma etapa da minha vida de um ciclo que se inicia. Nas comemorações do meu aniversário, deixo abaixo a entrevista que cedi para Marcelo Paschoalin, autor do livro que eu ilustrei da Editora Letra Impressa, intitulado Ancient Worlds: Atisi.

Originalmente publicada no site: http://letraimpressa.com.br/index.php/2019/02/15/entrevista-com-paloma-diniz/

Boa Leitura!

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Desenho eu que fiz para a representação da tribo Mungo. Inserida na página 23 do livro de RPG Ancient Worlds: Atisi

Hoje apresentamos uma entrevista com a ilustradora Paloma Diniz, que trabalhou conosco no Ancient Worlds: Atisi. Quer saber mais sobre essa talentosa artista? Confira!

Olá, Paloma, e seja bem-vinda! Você é a artista por trás das imagens que enobreceram o Ancient Worlds: Atisi e sua versão nacional Mundos Antigos: Atisi, então conhecemos seu traço. Mas quem é você? O que pode falar de si mesma para a gente?
Sintetizando numa frase: eu sou desenhista. Com muita alegria e orgulho. Dediquei-me e me dedico a praticar, estudar e trabalhar com desenho. Sou formada em Artes Visuais (Licenciatura habilitação artes plásticas na UFPB em 2007. Especializei-me em desenho artístico, animação 2D, maquetes eletrônicas em 3D, e atualmente eu estou estudando desenho clássico no curso de extensão do Laboratório de Desenho na UFPB. Há 12 anos estou passeando pelas ‘pradarias do desenho’ e decidi ficar no mercado de ilustração para livros, revistas e periódicos, e o de história em quadrinhos (minha paixão).

Como costuma ser seu processo criativo? Há alguma rotina de trabalho?
Sim, eu tenho uma rotina porque ser desenhista é ser um prestador de serviço; semelhante aos arquitetos, eletricistas, pedreiro, encanador… Tem que ter disciplina, ritmo de produção e qualidade com produtividade.
Quando alguém entra em contato comigo pra me contratar pra desenhar, primeiramente, eu dou total atenção ao pedido do cliente. Pra poder dizer “sim” ou “não”. Lembre-mo-nos: prestador de serviço tem que ter Q.I. Neste caso Q.I. significa “Quem Indica” e ninguém vai indicar alguém que não cumpre os prazos, que promete e não honra sua palavra. Então, eu vejo o que o cliente quer e digo se posso fazer o que ele deseja no meu estilo e técnicas de desenho e se no meu cronograma tem condições de eu atender o pedido no prazo que ele precisa. Dito “sim”, eu peço que o cliente me diga todas as informações necessária para a produção da sua encomenda. Com estas referências, eu vou estudar, ler, pesquisar para fomentar a criatividade na busca de idealizar e representar com meu desenho o que o cliente quer.
Quanto mais preparo de material de pesquisa e estudo eu tenho, aliado a clareza do que o cliente busca, melhor é o resultado da produção.
Geralmente eu faço uma amostra sem compromisso pra a pessoa ter uma ideia do que eu posso fazer e se realmente eu sou o desenhista que ela busca. Não sendo eu, indicarei outras pessoas; ilustradores que acredito ~talvez~ atenderá a representação visual que ele procura.
Tudo aprovado (amostra, estilo de desenho, preços e prazos para execução) eu separo os materiais que vou usar: o papel (tipo e quantidade mais adequado), lápis, pincéis, tintas e demais acessórios para a determinada encomenda. E por fim, organizo o cronograma de produção deste trabalho com os meus trabalhos e tarefas do cotidiano. Pra cumprir todos os prazos e metas.

Como foi trabalhar neste RPG? É diferente de trabalhar com outras mídias?
Foi maravilhoso! Realizei um sonho. Eu queria muito trabalha com livros de RPG. Eu joguei pouco RPG e sempre me encantava com as ilustrações dos livros de D&D, Vampiro, livros de “storyteller” em geral. Eu nunca fiz um livro de RPG e queria muito esse desafio.
Em Atisi World foi um desafio um pouco maior. Porque além de ser o 1º livro de RPG que eu ilustro, não havia feito ainda tantas ilustrações sozinha para um único livro; e eu tive que ‘mergulhar’ numa cultura ~pra mim~ pouco conhecida: a cultura africana. Um universo totalmente diferente do meu.
O rito de produção dele foi o mesmo para ilustrar um livro; mas, uma particularidade desta mídia foi criar algo totalmente novo e fantasioso e, ao mesmo tempo, com bases muito sólidas no mundo real e existente ainda hoje na cultura e geografia do Norte da África.

Como foi trabalhar com o Marcelo Paschoalin, em especial?
Também foi maravilhoso! É o que eu chamo de “cliente 5 estrelas”. São pessoas como o Marcelo que me animam a trabalhar como desenhista. Porque confia no artista, dão liberdade de criação e interpretação, tem clareza no que quer que desenhe. Honesto, sincero, fala a verdade sem ser rude ou depreciativo; humano, compreensivo, disposto a ouvir, aprender, e harmonizar situações ao longo da produção.
Tudo de bom! Quero ter a sorte de trabalhar com mais pessoas assim.

Em geral, artistas recebem uma direção de arte focada para criação, mas não é o que ocorreu com o Atisi. Como é ter essa liberdade criativa e a responsabilidade pelo que ilustrará os livros?
Apesar da liberdade de criação, Marcelo tinha em mente bem claro o que queria; ele me deu o ‘norte’ e me deixou tranquila e segura pra ‘construir a estrada’. Eu li todo o livro (na versão em inglês) e ~como já disse ~ a certeza do que ele queria me deu segurança pra desenvolver o projeto. A fui fundo nas pesquisas de tribos africanas que ainda vivem isoladas da colonização branca, e de outras cidades, assisti um seriado antigo sobre Shaka Zulu de 1986, com o maravilhoso Robert Powell, que está disponível na Netflix; e Google para as pesquisas.
Relacionado a produção de Atisi World, uma particularidade do Marcelo foi que ele não queria a estética padronizada pelo cinema e produção de TV de uma “África colonizada”. Apesar de ser um livro de fantasia, o autor buscou resgatar e representar uma África histórica, que existiu e existe, mas não é representada pelas mídias artísticas. Ainda vemos representações culturais das mais diversas sendo mostradas ao público de forma incoerente com o que foi ou o que é; esteriotipada e/ou deturpada. E o Marcelo foi bem claro nisso: queria representações de etnias negras diversas nos seus biotipos, trajes e adornos. Sem caricaturas, chacotas ou clichês que ainda existem por aí. Todos eu desenhei com suas belezas particulares, com posturas de elegância e bem apresentados.
Eu estou muito feliz com este trabalho que fiz, de ter atingido a meta de produção geral com sucesso. E eu acredito que ~por esta abordagem visual e cultural ~ este livro de RPG fará diferença na produção do gênero D&D tanto no Brasil quanto no mundo.

Atisi é um RPG. Você costuma jogar algo? Há algum tipo de personagem favorita?
De RPG eu joguei pouco; o que joguei mesmo foi Vampiro – A Máscara e, é claro, eu era do clã Malkavian. Eu gosto mesmo de jogos de tabuleiro. 

Você tem algum mapa de influências para o seu traço? Quem são os artistas que você admira?
Muitos artistas do passado e do presente. A lista é loooonga… Vou tentar ser sucinta: artistas do comics underground como Angeli, Adão Iturrusgarai, Laerte; os norteamericanos como Crumb, Wally Wood…das HQs eróticas italianas como Crepax, Manara, Serpieri, Giovanna Cassoto; artistas franco-belgas de HQs e ilustrações como Miguelanxo Prado, Moebius, Beatrice Tilier… Das artes clássicas como Leonardo Da Vinci, do desenhos industrial como Mucha, mais contemporâneos com M. C. Escher…
Porém, 3 foram fundamentais no impulso e influência nas minhas escolhas e incentivo na decisão de ser e viver de arte, desenho e histórias em quadrinhos.
1º David Bowie; por ser um artista plurapto, ele não se limitou a ~por exemplo~ apenas cantar. Ele foi compositor, multinstrumentista, porque estudou música. Era um excelente intérprete porque estudou teatro (trabalhou como ator de teatro e cinema); produtor cultural e visual (começo fazendo eventos no bairro que cresceu) também na faculdade de artes que ele estudou mas não concluiu, ele estudou artes visuais (mas desenhava e pintava por hobby) e com este saber ele produzia toda a parte visual dos shows, videoclip, figurinos, e capas dos álbuns de seus discos. Além de ser o gerente de sua própria carreira. Então, ele me mostrou que você pode fazer, acontecer e ser o que quiser; desde que esteja disposto a aprender, ter disciplina, e ter consciência do que é capaz e dos limites.
2º Jaime Hernandez; quando eu tinha 9 pra 10 anos, eu tinha uma colega de classe na escola que gostava de desenhar e de quadrinhos como eu. O nome dela é Jaciane Alves, somos amigas até hoje (mesmo não morando na mesma cidade); ela me mostrou uma HQ que me impactou bastante: era Love and Rockets de Jaime Hernandez (ele é filho de mexicanos que nasceu e vive na Califórnia). Eu gostava de desenhar, de ler quadrinhos mas, sem grandes pretensões. E foi quando conheci o trabalho do Jaime Hernandez eu decidi: quero ser desenhista e quero trabalha com desenho e HQs. E por muito tempo meu desenho foi uma cópia mal feita do Jaime Hernandez.
3º Mike Deodato; sou suspeita pra falar dele porque hoje ele é meu sócio. E nessa convivência a admiração só cresce! Nossa parceria nasceu numa forma de sincronicidades da vida. A esposa dele – Paulinha – entrou em contato comigo porque eles tinham ideias, produções mas não tinham tempo e como desenvolvê-las e eu tinha o tempo e o conhecimento mas não tinha a produção. Uma daquelas coisas mágicas que acontece na vida que por sintonia e afinidade, somos unidos e ligados a determinadas pessoas.
Mas, bem antes disso, nos idos 1994, chegou em minhas mãos uma edição da HQ da personagem Glory (a Mulher Maravilha do Rob Liefield) publicada originalmente nos USA pela Image Comics e lançada no Brasil pela Editora Abril. A pintura digital ingressando na HQs era a novidade e atrativo; e o desenhos chamou-me a atenção. A composição das figuras bem desenhadas e disposta na narrativa, e tals…era bem diferente das coisas que eu via nas HQs. Aí, fui ler os créditos e estava lá dizendo “desenhos: Mike Deodato”. Nunca tinha visto aquele nome nos créditos de desenhos de HQs mas notei que não era um nome totalmente americano. Como uma gatinha curiosa ~disposta a queimar os bigodes no fogo da chama da vela~ fui pesquisar. Nisso eu descobri que além de brasileiro, Mike Deodato é paraibano como eu, estava trabalhando como desenhista e desenhando HQs. E eu foi aquela injeção de ânimo e esperança tipo “é possível ser desenhista e fazer quadrinhos”. Lembremo-nos que naquela época internet era algo ainda em experimentos de laboratórios de tecnologia e computador era algo caríssimo, longe do alcance dos mortais. E a missão paralelo aos estudos do colégio e do desenho era como e o que fazer pra ser uma desenhista profissional como Mike Deodato.

Algum conselho para artistas que estejam começando?
A primeira coisa que eu aconselho é pra que a pessoa, o desenhista em potencial que está entrando neste mercado, é olhar para si e se perguntar: o que eu realmente gosto e faço bem como desenhista? Porque quando te contratarem para fazer um trabalho, não importa se é dia, noite, tenha Sol ou chuva, esteja com saúde ou doença, saiba: você vai ter que fazer bem e cumprir o acordo feito com o contratante! Toda quebra de contato tem um gigantesco prejuízo (o financeiro é o menor de todos). Se você gosta de desenhar mas sente-se mais seguro e prefere colorir, invista seu tempo, estudo e prática, na pintura artística ou digital (ou em ambas). Quando se está no mercado não é pra se aventurar. Aventurar nos sentido de que vai ousar fazer algo que nunca fez antes, como experimentar um material ou técnica de desenho; porque você tem por contrato cumprir o prazo e estas ousadias podem prejudicar em todos os sentidos (cumprimento do contrato, na saúde, entre outros).
Pode ser que o que você goste de fazer artisticamente seja algo que aparentemente não tem procura. Mas saiba: existem pessoas que estejam justamente procurando o que você faz.
No meu caso, eu não tenho afinidade com pintura digital; até já fiz workshop com a Cris Peter e não me destravou (eu gosto mesmo de lápis e papel, aquarela e afins); até hoje existem incentivos, propostas e investidas de amigos e colegas pra eu ingressar no mercado de pintura digital (ou ter isso como oferta de serviços a prestar) mas eu decidi aprimorar o que eu já sei e sei que faço bem: desenho com técnicas artísticas e clássicas. E nunca faltou cliente pra mim.
Tenha sempre um portfolio on line atualizado pra apresentar e se apresentar no mercado e para as pessoas. E nele, tenha sempre seus contatos atualizados (telefones e email) e esteja também nas redes sociais; porque hoje, é através destes que você será visto e os futuros cliente o procurarão. Foi através do Facebook que eu e o Marcelo Paschoalin nos contactamos.
Se você não tem afinidade com negociações, procure uma agência. Existem várias no Brasil e no mundo. Mas busque aquelas que tem clientes que contratem artistas com seu perfil de estilo e produção. Porém, independente ou não de você querer ser seu gerente ou buscar alguém para gerencia sua carreira, aprenda sobre gestão de finanças! Aprenda a cuidar dos seus pagamentos, de ter uma arrecadação para uma independência financeira (aposentadoria e afins). Digo e repito: desenhista é prestador de serviço; se a gente trabalha, ganha; se agente não trabalha, não ganha. Ser seu próprio patrão é excelente (pelo menos pra mim) quando se tem disciplina e conhecimento de processos bancários e financeiros. Não tenha medo de mexer com dinheiro; o dinheiro não é mau. Dinheiro é uma das fontes de energia do mundo material. Como a água, a comida… Você troca a sua energia ‘trabalho’ para ter a energia ‘dinheiro’; e com esta energia ‘dinheiro’ você poderá adquirir coisas que a sua energia ‘trabalho’ não pode. Entendeu?
E sempre, sempre, sempre seja honesto, gentil e coerente com seu pensamento, palavras e atitudes. Coerente para com você mesmo e para as outras pessoas. Este estado de consciência é sublime e importantíssimo pra a vida como um todo. Inclusive ~por mais que doa~ aprenda a dizer não. É infinitamente melhor dizer ‘não’ a um cliente do que prometer e não cumprir. Também aprenda a ouvir o ‘não’ e tente entender o porquê deste ‘não’. Um dos maiores problemas do mercado nacional brasileiro é trazer coisas e colocações do âmbito profissional para o pessoal. Se o cliente não gostou do seu desenho, ele não gostou do seu desenho. Não é algo pessoal; o que você apresentou, pode não ser o que ele procura e fim. Bastará a você ouvir e aprender com a experiência (o que fazer pra melhorar e/ou modificar).
Boa reputação, bom caráter, e confiança são coisas importantíssimas nas relações sociais e na vida. E são coisas que a energia ‘dinheiro’ não compra.

Agora o espaço é livre. Fique à vontade para falar o que desejar aqui.
Quero agradecer publicamente ao Marcelo Paschoalin pela oportunidade e confiança de deixar comigo a responsabilidade de materializar o visual do mundo de Atisi. Pra mim, foi de um aprendizado impar. Além de toda as informações culturais dos estudos, foi a primeira vez que fiz mais de 100 desenhos pra um único livro (exatos 161 desenhos).
E acrescentar algumas colocações pra os profissionais ~os artistas em especial~ que esteja lendo:

Nunca ache ou se ache, acreditando que aprenderam tudo, ou sabem de mais, ou “isso já está bom”. Esse comodismo e/ou vaidade é a tragédia pra qualquer pessoa ou profissional. Estejam sempre atentos, em alerta, e informados sobre o mercado que você quer trabalhar. Quanto vale financeiramente os desenhos e seu mercado e quanto realmente vale financeiramente seus serviços inserido neste mercado que você escolheu. Informe-se e saiba negociar.
Instrumentalizem-se com ferramentas e estudos para fazer sempre um bom trabalho; não é porque é um autor e/ou editora pequena e/ou que está começando que você vai fazer algo com menor qualidade. Lembrem-se prestação de serviços é Q.I. (Quem Indica). E saibam as grandes editoras estão sempre de olho nas redes sociais e plataformas digitais de portfolios on line. Para além da proteção do patrimônio intelectual das editoras, eles estão em buscas de novos talentos. A concorrência no mercado de ilustração é desigual: ou seja, você vai disputar vagas em seleção de trabalhos e contratos com todo tipo de artista, das mais diferentes idades e qualificações profissionais. Portanto busque sempre aprender e fazer o melhor.

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Ancient Worlds: Atisi.

A Bronze Age RPG setting for Dungeon World inspired by Egyptian Mythology. 

Faz pouco mais de 1 ano e 6 meses que eu não escrevo nada pra meu blog; esse meu pedacinho da internet é pra registro profissional meu e, em especial, das minhas produções. Fiz muita coisa neste período; período também de muitas mudanças e transformações (aos pouquinhos, pretendo trazer aqui o que fiz neste hiato de postagens). Mas, vamos falar de algo recente e belo: Ancient Worlds: Atisi. A Bronze Age RPG setting for Dungeon World inspired by Egyptian Mythology.

Este é um projeto do escritor – um adorável ser humano – chamado Marcelo Paschoalin. É um livro de RPG cujo contento ocorre na Era de Bronze do Egito Antigo, pautado na sua mitologia. E o autor convidou pra fazer as ilustrações.

Pra mim, foi um convite muito feliz – apesar das ultimas aventuras e desventuras – e um desafio.

Um maravilhoso que tem nesta publicação em especial é que, por trás de todo o universo lúdico do ‘role-playing game’ criado pelo Marcelo Paschoalin, há um embasamento histórico e estético muito real do ponto de vista arqueológico do que foi o Egito Antigo.

Quando eu comecei a ler a publicação e conversando com ele pra fazer as amostras, eu tive que parar e estudar minuciosamente cada detalhe de uma África que ainda existe nos lugares mais recôncavos, protegidos pela Natureza e tradição dos mais velhos e bem longe das outras civilizações. Algo que não está nos livros de história e/ou  não está nas outras representações artísticas do que foi o Egito em priscas eras (salvo raras exceções dos historiadores e pesquisadores sérios). Repito, foi um desafio fazer a amostra abaixo:

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E também foi desafiador porque eu tentei fugir dos estereótipos das figuras que representam a raça negra visto nas publicações em geral; o que também era algo que pela descrição desta tribo em especial exigia que a imagem espelhasse.

 Ancient Worlds: Atisi . A Bronze Age RPG setting for Dungeon World inspired by Egyptian Mythology. Está na fase final da captação de recursos para se tornar um livro físico. Falta só 5% pra atingir a meta!

Vá lá! Acesse o site, veja os vídeos e – se puder – ajude-nos a materializar esta publicação. Acesse:

https://www.indiegogo.com/projects/ancient-worlds-atisi-books-fantasy#/

Contamos com você. 😉

Introdução à Proporção Áurea: Utilizando-a na Superfície do Desenho (base retangular)

Abaixo está um passo a passo no qual você poderá facilmente utilizar a divisão harmônica segundo a proporção áurea nas folhas de papel padrão internacional da série A. O descritivo abaixo está para o ponto de ouro com a superfície retangular mais longa na horizontal. O mesmo passo a passo poderá ser utilizado com a superfície retangular mais longa na vertical porém, resultará em pontos de ouro diferentes. A marcação do ponto de ouro dependerá da sua composição, seja na horizontal ou na vertical.

E assim, teremos um “retângulo de ouro” segundo os padrões das proporções áureas.

grafico_retangulo_de_ouro_11Semelhante ao quadrado, você poderá usar o retângulo com as proporções áureas de forma semelhante ao quadrado nas quatro disposições, seja o papel mais longo na horizontal ou mais longo na vertical. Esta definição será definida mediante opção escolhida para a disposição das figuras na composição. Lembre-se: para acentuar o foco de um determinado elemento na sua arte, coloque-o no ponto de ouro no espaço.

Introdução à Proporção Áurea: Utilizando-a na Superfície do Desenho (base quadrada)

Uma das aplicações da técnica de Proporção Áurea é na elaboração de uma composição harmônica onde todas as pessoas que visualizarem sentirão beleza e fruirão de uma composição artística agradável. Serão desenhos que haverão aceitação pelo expectador por mais variável que seja seu projeto. Primeiramente, vejamos proporção áurea aplicada em superfícies quadradas.

Proporção Áurea na Superfície Quadrada:

Superfícies quadradas são estáveis e difíceis de fazer composições com dinâmica e harmonia. Para “quebrar’’ essa rigidez das superfícies quadradas, há uma forma de aplicar a proporção áurea. É muito simples encontrar o ponto de ouro no quadrado como na figura abaixo:

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1- Trace uma linha na diagonal de A para B;

2 – Coloque a agulha do compasso em A e arraste o compasso de C até a base do quadrado.

3 – Onde o arco e a linha diagonal se cruzam, está o ponto de ouro da superfície quadrada.

Neste ponto, você poderá colocar o objeto principal da sua composição. Pode ser um olho, uma mão, algo que você quer destacar no seu desenho. Não há obrigatoriedade de alinhamento preciso.

E assim, o quadrado ganhará a dinâmica que a linha diagonal traz e harmonia com o ponto de ouro. Não há necessidade de rigor nesta disposição da linha e do arco você quadrado_de_ouro_02poderá explorar as quatro opções que o quadrado proporciona. E neste limite, você encontrará ilimitadas possibilidades de composição dentro do aparentemente rígido e limitado quadrado. Na figura à direita e ao lado, há estas 4 disposições do ponto de ouro.

Veja abaixo algumas fotos em formato quadrado selecionadas da internet onde nas suas composições elementos encontram-se no ponto de ouro ou aproximado dele:

Lembre-se: “o ilimitado emerge dos limites”

Introdução à Proporção Áurea: O Famoso Cálculo.

Uma das coisas que mais me irritava nos livros de arte que abordavam o assunto Proporção Áurea era o fato de nenhum deles ensinar realmente como utilizá-la nas composições artísticas. E uma das minhas propostas com estas postagens é justamente ensinar como utilizar a proporção áurea.

A frase citada anteriormente “a parte menor está para a maior assim como a parte maior está para o todo” gera um cálculo matemático que utilizaremos nas nossas composições. Considerando a letra A para representar a parte menor e a letra B para representar a parte maior, chegaremos a seguinte fórmula matemática:

A : B = B : (A+B)

Não será sempre que nossa busca matemática será igual nas divisões; chegaremos muitas vezes ao aproximadamente. Lembremo-nos: estamos em busca da harmonia e não da igualdade. Muitas das nossas divisões poderão chegar a dízimas periódicas quase infinitas. O resultado desta divisão será aproximadamente 6 para cálculos com números acima de três casas decimais; o resultado será aproximadamente 0.6 para divisões com duas casas decimais; aproximadamente, nos algarismos com uma casa decimal, encontraremos resultado como 0.625, 0.615, 1.618… ,1.6, também em nossas divisões de partes diferentes na busca de tamanho proporcionalmente por tamanhos harmônicos para as formas em nossos desenhos. Não precisaremos perder tanto tempo calculando todos os traços do desenho, o que pode tolher nossa criatividade. Na busca da harmonia nas nossas composições, de grande utilidade será a Série Fibonacci criada por Leonardo de Pisa que introduziu na Europa, juntamente com algarismo indo-arábicos e o sistema decimal. A Série Fibonacci consiste numa sequência numérica somática na qual cada número da sequência é a soma dos dois números anteriores. E assim, surge a progressão aritmética: 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144…, etc. Se usarmos o cálculo da proporção áurea e dividirmos o número menor pelo numero maior da sequência, perceberemos que o resultado da divisão será aproximadamente os números da seção áurea (0.6, 1.68…, 0.615 e etc). Usaremos esta matemática para encontrar o chamado ponto de ouro nas composições.

Não é de forma aleatória que, no tratado da Deca Pitagórica, o teorema da harmonia é justamente o número 6.

Se você quiser realmente aprender proporção áurea, guarde sempre esta frase:

“a parte menor está para a maior assim como a parte maior está para o todo”

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Introdução à Proporção Áurea – Por que conhecê-la é importante?

Nossa cultura (brasileira e americana em geral) foi muito influenciada pela cultura e colonização europeia ocidental. E o berço da cultura europeia foi a Grécia, que espalhada pelo Império Romano, estendeu-se largamente pelo que compreendemos hoje por Europa. Os europeus colonizaram o continente americano e o resto da história, já conhecemos.

É notório a percepção deste conhecimento e sua importância na Arte, Engenharia e Arquitetura derivado dos conhecimentos da Natureza partindo deste tratado grego.

Para ilustrar mais e muito melhor do que eu, abaixo segue um vídeo. É uma animação em média metragem do Pato Donald produzido pelos estúdios Disney que aborda o tema, a sua importância, influência e uso no nosso cotidiano.

Este é um dos inúmeros vídeos educativos que a Disney produziu mas, infelizmente, são pouco conhecidos. Vale a pena assistir até o final.

Divirtam-se!

Introdução à Proporção Áurea – Breve História e Princípios Teóricos

          Proporção Áurea, no desenho artístico, é técnica para harmonizar composições. Pelos registros históricos, estes princípios teóricos e práticos da proporção áurea originou-se na Grécia, século VI a. C. na Escola de Pitágoras. Os princípios da busca do equilíbrio de partes diferentes é o princípio da harmonia. Esta palavra “harmonia” tem origem grega; o termo grego ‘harmos’ significa juntar. Partindo da observação da Natureza, os pitagóricos perceberam que não há uma regularidade nas formas; a métrica, a simetria, a matemática são invenções do homem; a Natureza possui outro tipo de composição e sua própria matemática; seus padrões que partem dos princípios da harmonia. Dentre os estudos dos pitagóricos, há um tratado de amplo conhecimento e aplicabilidade universal que é chamado de Deca Pitagórica. Era um tratado composto de 10 compilados com fundamentos matemáticos que exprimia de forma teórico-matemática a origem manifestada do mundo em que vivemos, a criação e recriação do Universo manifestado. O tratado relativo à proporção áurea está no compilado de número 6, chamado de Teorema da Harmonia. Para entender melhor o 6º teorema, é necessário conhecer o anterior, o de número 5, chamado de Teorema do Limite ou do Homem.

Teorema Nº 5 – Do Limite ou Do Homem:

De maneira sucinta, o teorema de número 5 aborda o despertar da consciência e do limite das coisas, seu símbolo é a estrela de 5 pontas voltada para cima e o algarismo indo-arábico cinco 5 é também seu representante equivalente na matemática que iremos utilizar. No desenho, faz-se necessário tomar consciência do nosso limite, do limite dos nossos recursos materiais, do tamanho de área da superfície em que vamos desenhar, do que somos como desenhistas e onde queremos chegar. E este teorema tem a seguinte afirmação traduzido para nosso idioma: “O ilimitado emerge do limite” . Ou seja, a partir de que a consciência chega a nós por meio da razão, poderemos ser mais e melhor; conhecendo nosso limite, conheceremos também todas as nossas infinitas possibilidades. As limitações não são apenas restritivas mas também são criativas.

Teorema Nº 6 – Da Harmonia:

O teorema de número 6 que iremos explorar mais a fundo, aborda a harmonia como princípio inicial na busca do equilíbrio, e num patamar mais elevado, a busca da perfeição. As proporções da Natureza, que é também parte de nós, constituem limitações partilhadas que criam relações harmoniosas baseada nas diferenças. É dos princípios da harmonia criado pelos gregos que derivam os conceitos de beleza. Segundo o teorema de número 6, “a parte menor está para a maior assim como a parte maior está para o todo” . Partindo deste conceito iremos criar composições harmônicas, na busca da beleza e perfeição artística.

A Geometria da Natureza:

A ciência matemática que conhecemos é dividida em três segmentos: aritmética, geometria e álgebra. Euclides de Alexandria é tido como “Pai da Geometria”; a chamada Geometria Euclidiana é aquela que conhecemos e usamos no desenho; com duas e três dimensões com formas regulares e simétricas, as quais usamos para compor cenários e desenhar objetos. Quando se trata de representar a Natureza (animais, plantas e pessoas) usaremos uma geometria não euclidiana; ou seja, serão formas que possuem duas e três dimensões porém, não serão com formas regulares e simétricas. E é nesta composição da geometria da Natureza que utilizaremos proporção áurea. Abaixo poderemos observar respectivamente um círculo, uma esfera e a representação de uma laranja. Notaremos a diferença entre a geometria euclidiana com duas e três dimensões e a geometria da Natureza, não euclidiana.

Fontes das imagens: http://www.google.com

Referência Bibliográfica:

READ, Herbert, Sir. O Sentido da Arte. Editora IBRASA; tradução E. Jacy Monteiro. 8ª edição. São Paulo – SP. 1978.

DOCZY, György. O Poder dos Limites: Harmonias e Proporções na Natureza, Arte e Arquitetura. Editora Mercuryo; tradução Maria Helena de Oliveira Tricca e Júlia Bárány Bartolomei. São Paulo – SP. 1990.