Marcello Quintanilha retorna à João Pessoa

Texto originalmente publicado em no site da Ed. Marca de Fantasia e no Memorial dos Quadrinhos da Paraíba.

Nos dias 10 e 11 de abril de 2015, tivemos aqui em João Pessoa – PB, a presença de Marcello Quintanilha para bate papo e lançamento de sua história em quadrinhos intitulada “Talco de Vidro”. Ação esta promovida pela loja especializada em quadrinhos Comic House.

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Na noite do dia 10 de abril, nas dependências da Usina Cultural Energisa, por volta das 20h, ocorreu um bate papo com o autor mediado pelo jornalista Audaci Jr. Na ocasião, foi exibido um vídeo promocional de lançamento da HQ criado pela Comic House, Marcello Quintanilha fez uma leitura dramática das 20 primeiras páginas de Talco de Vidro, respondeu a questões sobre a sua mais recente publicação proferidas pelo mediador e pelo público.

No dia seguinte, nas instalações da Comic House, por volta das 18h30, Marcello Quintanilha, debruçou-se a autografar publicações para o público. Além de Talco de Vidro, gentilmente ele autografou outras obras de sua autoria. Calma e atenciosamente, Quintanilha conversou, autografou e permitiu-se fotografar com os presentes na sessão de autógrafos.

Sobre Marcello Quintanilha:

Carioca da cidade de Niterói  RJ, Marcello Eduardo Mouco Quintanilha é desenhista autodidata. Seu primeiro trabalho em quadrinhos foi publicado em 1988. Ainda adolescente, ele desenhou histórias de artes marciais para a revista Mestre Kim, da Bloch Editores. Na época, ele assinava com nome artístico de Marcello Gaú.

Aos 18 anos, tendo concluído o ensino médio, começou a trabalhar como animador para uma escola de inglês. Passou sete anos no emprego, usando o tempo livre para desenvolver seus projetos pessoais. A convite de Rogério de Campos (diretor da editora Conrad) passou a colaborar com as revistas General e General Visão, nas quais publicou histórias como Dorso e Granadilha. No mesmo período, criou trabalhos também para as revistas Metal Pesado, Nervos de AçoHeavy MetalZé Pereira.

Sua primeira graphic novel foi publicada em 1999. Fealdade de Fabiano Gorilla era uma história baseada na vida de seu pai, que foi jogador de futebol do Canto do Rio na década de 1950.

No ano de 1999, durante a 1ª edição do FIQ-BH  (Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte) conheceu o francês François Boucq, que se interessou pelo seu trabalho e convenceu-o a enviar seus desenhos para editoras europeias. Em 2003, publicou La promesse (A promessa), primeiro volume da série Sept balles pour Oxford (Sete balas para Oxford), pela editora belga Le Lombard, com roteiro do argentino Jorge Zentner e do espanhol Montecarlo.

O contrato com a editora belga levou Quintanilha a mudar-se para Barcelona, para ficar mais próximo dos roteiristas da série. Passou a publicar também ilustrações nos jornais espanhóis El País e Vanguardia .

Ao mesmo tempo, continuou produzindo álbuns para o público brasileiro. Sempre que pode e/ou é convidado, vem ao Brasils para lançar suas produções. Em 2005, publicou Salvador, na coleção Cidades Ilustradas da editora Casa 21. Seguiram-se Sábado dos meus amores (2009, troféu HQ Mix de melhor desenhista nacional) e Almas públicas (2011). A adaptação em quadrinhos da obra de Raul Pompeia O Ateneu pela editora Ática pela série Clássicos Brasileiros em HQ (2012), e pela editora Veneta lançou suas mais recentes produções em quadrinhos: Tungstênio (2014) e Talco de Vidro (2015).

Diga-se de passagem, Marcello Quintanilha com sua obra Sábado dos Meus Amores, é uma das três obras dos quadrinhos brasileiros dentre as mil e uma de uma célebre lista de Quadrinhos Que Devem Ser Lidos Antes de Morrer escrita pelo renomado jornalista britânico especializado em quadrinhos Paul Gravett   (http://www.paulgravett.com/1001_comics/1001_updates/).

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O Escudo Manchado: um herói em tempo de guerra

Olá meus queridos, abaixo está uma entrevista do Jornalista Daslei Bandeira para o Blog dos Quadrinhos, do jornalista e professor universitário Paulo Ramos (um ctrl+c e ctrl+v básico).

O motivo pelo qual trago esta matéria, é o fato de que fui eu que ilustrei a capa do livro. Este desenho foi confeccionado com papel tamanho A4 tipo canson na cor creme, utilizei guache, nanquim aguada e canetas nanquim de ponta porosa. Tomei como base a arte de John Cassaday, a pedido do autor.

O livro encontra-se à venda no site da Editora Marca de Fantasia. Caso você se interesse em adquirir, basta acessar o link: http://marcadefantasia.com/livros/quiosque/escudomanchado/escudomanchado.htm

 

Imagem da capaLivro Mostra que Capitão América reproduz ideologia da Marvel. Por Paulo Ramos em 25/05/2007.

“O Escudo Manchado: um herói em tempo de guerra”, livro lançado este mês, mostra que o Capitão América funciona como um porta-voz das opiniões da Marvel Comics, editora que publica o personagem.

Segundo o autor, o jornalista Daslei Bandeira, o papel que o herói exerce para a empresa de quadrinhos é o mesmo que um editorial tem nos jornais.

Parte dessa visão opinativa ficou bem evidente depois dos atentados de 11 de setembro, em que
aviões destruíram as torres gêmeas de Nova Iorque e parte do Pentágono norte-americano.

A revista mensal do herói ganhou um novo enfoque e ele passou a lutar contra o terrorismo. As histórias, escritas por John Ney Rieber e desenhadas por John Cassaday, já foram pulicadas no Brasil.

“Por estar ligado diretamente à nação americana, ele não tinha como fugir desse fato em suas histórias como foi no caso dos personagens da editora DC Comics, e [ a Marvel] teria que tratar do assunto de tal forma que agradasse o povo americano e ao mesmo tempo comercialmente bom para o mundo”, diz Bandeira.

“O Escudo Manchado: um herói em tempo de guerra” (Marca de Fantasia, R$ 13) é o resultado do projeto de conclusão de curso. O jornalista imaginava inicialmente abordar a influência dos eventos de 11 de setembro de 2001 nos cinemas.

Surgiu então a ideia de abordar o tema ajustando o foco no Capitão América. Hoje, Bandeira se diz fã do herói , criado em 1941 por Jack Kirby e Joe Simon para lutar na 2ª Guerra Mundial.

“Mas, de início, não era muito [fã], por causa do discurso politicamente correto que era traspassado nas histórias”, diz o jornalista que esta com 29 anos. O interesse surgiu quando o personagem ficou mais questionador sobre o papel que exerce nos Estados Unidos.”

Daslei Bandeira mora em João Pessoa, na Paraíba. E de lá ele respondeu algumas perguntas do Blog dos Quadrinhos, feitas por e-mail.

 

Por que o título “escudo manchado”?

Foi meio que por sorte. Eu tinha que entregar um esboço do projeto, que até então tinha o nome de “A influência dos atentados do 11 de setembro de 2001 no personagem do Capitão América” e fui reler s saga a saga de John Rieber e John Cassaday fizeram. Em uma página, tinha um quadro onde mostrava o escudo com um veio de sangue do próprio personagem ( que se tornou capa do livro, com a arte de Paloma Diniz). Vi aquilo como uma metáfora que resumia o sentimento dos Estados Unidos em relação ao acontecido, uma ferida aberta no sonho americano.

Há uma hipótese que você defende na obra?

Sim, o personagem se tornou em uma espécie de foco opinativo da própria editora Marvel, algo parecido com os editoriais dos jornais. As ações do Capitão América são baseadas nos ideais que a empresa acredita, mas, como ele é o produto de massa, tem que ser algo vendável, assim ficando preso na questão mercadológica. Não tendo como escapar disso, a própria editora mantém um bolsão cronológico que, a qualquer sinal de necessidade de uma opinião mais forte e partidária, o que potencialmente diminuiria a vendagem da(s) revista(s) em que este atua, o personagem é enviado para lá. Funciona como um bote salva-vidas, por isso sempre que a opinião é cobrada pelo público, algo do passado dele é recriado ou redescoberto. Como exemplo, posso citar a saga do “Soldado Infernal”, que há pouco tempo foi lançado aqui no Brasil ( pela Panini), mas por lá foi durante a pior fase da invasão americana no Iraque.”

O enfoque está especificamente no Capitão América ou outros personagem são abordados?

O enfoque é no personagem do Steve Rogers ( o auter-ego do herói). O livro tem um capítulo específico para outros personagens que chegaram a utilizar o nome do Capitão América, co m John Walker, que primeiramente se chamava Super Patriota, mas que ficou conhecido como Agente Americano.

O personagem mudou desde 1941 pra cá. Primeiro era a 2ª Guerra. Neste século 21, esteve ligado ao combate ao terrorismo e aos eventos de 11 de setembro. Ele é uma espécie de reflexos de eventos históricos dos séculos 20 e 21?

Ele é um personagem que passou não pelos principais eventos do mundo, mas pelos principais eventos que a nação americana esteve envolvida, que são os mais divulgados pela mídia. Por ser um personagem extenso, em questão temporal, a ser publicado mensalmente, sim ele é um reflexo como qualquer outro objeto da mídia de entretenimento pode ser. Um reflexo distorcido, mas real dos sentimentos de um povo.

Onde entra a questão ideológica nas histórias do personagem?

Ele deixou de segui o país, Estados Unidos, como era pregado em sua criação, e segue apenas o Sonho, como ele próprio chama. Esse “Sonho” nada mais é que a reformulação para a ideologia de Revolução Francesa, Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Ele deixou de ser apenas um soldado americano para ser um soldado do mundo. Os autores que trabalham e trabalharam com ele depois da década de oitenta, quando houve a tal reformulação, sempre tentam pregar esse discurso de desapego patriota e defesa do homem comum em suas histórias. Algumas vezes se torna enfadonho e até mesmo hipócrita, mas vejo-o como um discurso quase que religioso para o personagem, algo que só ele acredita e ninguém mais. Um discurso belo que os leitores deveriam aprender.

Recentemente, a Marvel “matou” o personagem. Você vê relação entre a suposta morte e o que abordou em seu livro?

Sim e não. Logo depois dos atentados o personagem se tornou mais questionador em relação ao Governo em si, por causa das ações deste em sua política externa. Como ele mesmo disse, no arco posterior aos atentados, os Estados Unidos têm sua parcela de culpa pelo sentimento que o resto do mundo nutri em relação a eles. As ações do personagem feitas na saga “Civil War” (ainda inédita no Brasil) podem ser vista como um resultado direto de como ele reagiu aos atentados. Mas sua morte não dá para ser interpretada como dessa forma, veremos isso quando/se ele ressuscitar.

Fonte: Blog dos Quadrinho, 25/05/2007. Site: http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/